quinta-feira, 29 de novembro de 2012

Excerto do livro: Diário em Carbono Liquido por Agnes Gonzalez


Excerto do livro: Diário em Carbono Liquido por Agnes Gonzalez

Livro dedicado a todas as pessoas que tenham passado por relações sejam elas que tipo forem, que se possam rever neste diálogo que é nada mais nada menos que uma confusão de sentimentos.
Tenho consciência de que a vida não é um mar de rosas e que nem sempre fui o que era idealizado pelos outros, no entanto quero só deixar esclarecido de que não somos vítimas de nada, a não ser das nossas próprias acções, uma vez que as mesmas dependem exclusivamente da nossa capacidade de auto-reflexão e do nosso auto conhecimento.

Deixo o apelo a tod@s os que alguma vez se deixaram envolver demasiado, aos que dependem dos seus companheir@s, essencialmente a nivel emocional e de todas as outras formas, aos que têm pouca auto-estima e aos que que têm medo de abrir o seu coração com medo do que possam vir a sofrer!
Amar nunca é demais, desde que se consiga entender a razão da nossa fragilidade!

Este texto foi publicado anteriormente, mas foi removido, volto a publicá-lo, pensei que o tivesse perdido embora o mesmo não se encontre completo, quero agradecer a quem o guardou junto da sua memória... desde já o meu obrigado do fundo do coração.

                        Quando não se tem nada a perder, a coragem torna-se um dever!

                                       
-Opá, mas tu tás te a passar ou quê?? 
-Quem!?!Eu?!Granda lata!
-Sim, realmente, até parece que nunca as flores secaram por falta de lágrimas? -E tu tás a dizer que eu nunca chorei só para as poder ver secas?! Pois, lamento informar-me, mas todas as gotas que me caíram da face foram em prol de que o luar nunca as deixasse de iluminar, para poderem ter luz e se alimentarem!
-Sim, mas isso não implica que tenhas quebrado o basalto que ocupava o meu coração, disse-te tudo de mim, nunca o fiz! Só depois percebi que em vez de me colocares a mão no ombro e dissesses: ”Pra quê isso? Sabes que sem se tentar, nunca se sabe o que se alcança! Tenta” e sabes porquê? Porque as minhas palavras não são certas e ouvindo as dizer por outro alguém, parece que soam melhor! Antagonicamente, como já verifiquei, conseguiste inverter o sentido amoroso! O que é para ti o Amor? Foi sempre uma pergunta a qual fugiste!
-Opá, não tenho paciência para essas merdas das definições, o que interessa é o que se faz para que se fluía, seja coordenado, fácil! Não quero saber, nem te vou responder, porque isso irrita-me, polui-me, atrapalha-me, revolta-me! Não tenho confiança em ti, não sei se daqui a bocado estás numa de atrair boa sorte, se queres é se destrua o que há! Não captas! Mas sempre…não dá! É triste saber que afinal tudo não passou de um engodo! E eu fui enganado, porque pensei que se pudesse fazer coisas e no fundo o que se supunha era um desatino constante! Não tenho paciência para discutir se fizeste bem ou errado, porque já nada me surpreende, é me indiferente, desde que não comeces com aquelas tretas dos discursos tão típicos teus de que é assim, porque é assim e nada mais existe! Tu existes, os outros, não! E como se ainda não bastasse nada te teve, não tive aquela sensação de ser livre, de poder contar com o teu tempo, com a tua vontade, eu não existo também, odeio o quanto me fazes sentir como um prego que já está torto espetado na madeira e que por muito mais que batas ele nunca se endireita! Acabou-se o tempo em que acreditei que seria possível caminhar num túnel e antes de chegar ao fim já o tenho iluminado! Quero que me deixes funcionar com o que pretendo, violas-me os pensamentos! Entras e queres que esteja disponível para tudo! Arghhhh! Eu não tenho nada que fazer isso! O que é isso?! Pareces um daqueles insectos que giram á volta das lâmpadas! Sabes? Giram tanto á volta daquilo, mas tanto, tanto! Não param de girar e giram e giram, mas se derem um giro mesmo ao centro da lâmpada com mais violência dai a umas horas giram mas é “kapute”! Tu andas sempre a girar, tens medo de dares cos cornos e marares! E não pensas…ou secalhar isso também já deve ser assim um esforço maior, não?! É tudo uma merda, irritas-me com a obrigação de ser eu a fazer, não suporto essa ideia de ser levado para ser amarrado, ali, sem me mexer, á espera de que me caia um saco cheio de dinheiro! E mais! Caguei, não prestas, não quero que me vejas como se fosse um descobridor de lucros, porque daqui não levas nada, tudo tem de ser alí á risca, tudo contado até ao último cêntimo, níquel, euro por euro, hora por hora, porque eu  quero que percebas que não ando aqui a brincar, caralho! Eu não vou mais levar com isso! Tu não és nada! Tu não queres nada e eu odeio quem não quer nada, ou parece não querer, porque eu muitas vezes já duvido que queiras mexer em qualquer coisa! Arghhh!! Pá, o tempo em que era tudo bonito já não existe, nada me prende e tu vais continuar nessa ilusão de que tudo não passou de um mal entendido, porque não era aquilo que tavas a dizer, mas porque era aquilo que tavas a fazer! És uma autista! Inconsciente! Tentas sempre dar o que tens, mas também tens o quê?! Nada!!  Fazes-te  passar por uma pessoa que afinal não és nada do que pensas! É para eles verem, só! Não é por isso que te vão dizer que sim a tudo! Não tens noção de que o espaço do teu mundo é diferente do espaço dos outros! Não te dás conta de que há mais coisas que se podem fazer e mesmo que houvessem andavas a ver “quem” ou o “quê” é que te podia dizer se tava certo, só porque não sei o quê! (.,.)
(…)
-Dás- te conta de que me dás as armas todas!? Já sei que por muito mais que diga, falta sempre qualquer coisa! Sou uma verdadeira inútil, sim senhora, foi sempre o que eu mais queria e tu conseguiste fazê-lo! É por isso que eu gosto de ti, sim, porque eu não posso viver sem os teus conselhos! Eu desrespeitei-te sempre, não foi? Consegui  igualmente um outro meu triunfo, que era ser uma verdadeira chata, perseguidora, fogo, estou mesmo feliz, só não queria que pensasses que era de propósito, mas tu consegues sempre descobrir os enredos e os problemas, encontras soluções ao virar da esquina, em cima do balcão, a vasculhar contentores, até podem estar vazios, mas tu vais lá na mesma só para te certificares que nas paredes ainda pode estar algum pacote de acúçar para te curar essa azia permanente, estúpida e sem sentido que fazes questão  em por ao de cima, sem que alguém te tenha dito nada de agressivo ou de querer mostrar alguma consideração pela tua pessoa! Dói-me o coração! Não imaginas o sofrimento que me assola desde que me deixaste, tenho pena de não te conseguir fazer sentir o alivio que eu tive quando aprendi que afinal aquela pessoa que tanto condena manifestações de carácter corrosivo, que me alertou para o facto de eu ter outras pessoas  de me estarem a reprimir, me está a fazer o mesmo, que quem acredita na partilha de conhecimento, de trocas de afecto, compreensão, de apoio, de entre-ajuda, como casal, sim, tinha essa ideia! (Nunca quis que fizéssemos isso sozinhos, sozinhos a partilha seria mais a roda de uma roleta!) Essa pessoa que acredita no funcionamento de uma comunidade, de igualdade principalmente, justiça e clareza de discurso, vem por um outro lado atingir o meu lado mais sensível! Quando digo que dei tudo, digo que pensei que podia confiar em ti também, mas afinal tudo o que eu fiz! Será que fiz?!? Pá, diz-me lá, lembraste de eu ter feito alguma coisa, sozinha ou contigo em que elogiaste de coração o que se repartiu, ou melhor o que era comum!?  Lembro-me, eu, em tempos que já lá vão e que eu gostava que voltassem, que voltassem a ser como eram!! Preciso tanto de ti, meu amor, preciso tanto do teu carinho, da tua força, do teu carácter vincado e essa personalidade tão invulgar que faz com eu continue a achar que temos coisas em comum, temos imensas coisas em comum, só não temos em comum é o sentido de amor e principalmente o mesmo sentido de respeito, essencialmente, já que falas tanto em respeito e eu que não sou uma pessoa objectiva, antes pelo contrário eu sou um monstro das situações indesejadas, das merdas por resolver! Bem, sou feliz ao teu lado, quero ficar contigo, sabes disso! O problema é que tu pensas que eu tenho medo! Eu não tenho medo! Que fique aqui bem assente, escrito até, para a posteridade do nosso futuro, que eu gostava que fosse: juntos! Espero que sim! Quero-te dar carinho, parvo! Pra quê tanta revolta? Tanta agressão verbal?! Logo pra mim, só podes estar a gozar, alimentaste-te das minhas fraquezas para agora jogares e brincares com a minha vida ao ponto der eu achar que estava louca?! Não!! Nem penses! Nunca, mais! Fique dito da minha parte que: eu não tenho mais nada a perder, mas também não tenho mais nada a ganhar, o que vier por bem, entra e sai por  bem, sempre! Integra! SOU e com muito gosto, há quem não goste que eu seja assim, mas eu não consigo evitar, não é defeito, é feitio e contra isso eu não posso ir! Mais, perdi o medo! Agora, fica comigo, não achas que já chega desta merda? Vê só se da próxima não sejas tão sisudo no teu discurso, por favor, eu não faço nada para que isso aconteça, sempre fui cordial para contigo, não tenho por hábito pagar na mesma moeda, mas se o problema for esse eu prefiro pagar com raios de escória e se calhar há quem não vá gostar e meter finalmente a mão na consciência nos sentido de: “pá, eu não preciso fazer isto, faço isto porquê?” “Sou assim tão exigente para quê, o mundo vai acabar amanhã?” Bem, não interessa também a minha opinião, eu não sou nada, não é?! Sou feliz por ser nada, assim já posso mudar o meu nome no meu próximo cartão de identidade!  Nós nunca nos vamos entender, eu já percebi, porque tu não queres, sabes! Não necessitas de ser assim, vais a correr para outros braços assim que puderes, quem tanto amou e quem tinha tantos planos! Desperdiças tudo o que construímos em nome de uma ameaça fantasma! És exímio em conquistar quando te convém, para quem desdenha, porque não serve, paradinho,  coisa mais sem sal, era como se fosse um saco de batatas e tinha se de tocar de mansinho porque os grelos podiam magoar as costas, afinal agora já serve! Do mal ao menos: divide-se a sarna! Bom proveito! Até agradeço, porque assim angariasse mais uma testemunha de jeová! Muito bem, já dizia a minha avó:” É nas costas dos outros que eu vejo as minhas” Aproveitaste as minhas ilusões e as minhas inseguranças, atiras me á cara a quantidade de insultos que categoricamente, se não me falhasse a memoria, até a ordem eu os poderia enumerar por género, quantidade e qualidade! Bem, tou só a dar a minha opinião, não quero que leves a mal, mas essa rivalidade, essa competição, esse abre olhos de que tu tanto falas, chegou e sinceramente eu não gostava de estar na pele de quem o criou, o mundo é pequeno e tão sujo, tão sujo, tão podre, tão doentio, tanta moléstia, tão esgoto, tão nada! Olha, somos irmãos! Eu e o mundo! Por muito mais que me custe a admitir, este sofrimento atroz, esta pedra dura que deixou a carne consumir, tornou-se mortal, conseguiste o fazer muito bem, acreditei sempre até á ultima na tua palavra, nunca duvidei das tuas capacidades, mas mesmo assim, não fui compreendida, fui enganada, traída, porque é uma traição maior fazer o que tens feito onde continuo acreditar que não és assim mas ok…E que tal provares só um pouco do teu veneno?! Este diamante a quem dera muita gente poder ter ao seu redor irá demorar algum tempo a recuperar a coragem, mas como o que é de extremos se atrai e eu sou excessivamente perfeccionista, prefiro ficar em silencio a partir de agora e deixar correr o destino! Sabes porquê? Porque o azeite não se mistura com água…

quarta-feira, 28 de novembro de 2012

Sou...

Lamento todas as horas desperdiçadas em prol do teu mundo mortal.
A vida não foi feita para amar, mas sim para sofrer.
Não permito que ninguém me conceda a tua liberdade.
Sou escrav@ da minha vontade

No meio do breu, sinto os teus dentes cravarem-se-me na pele como de uma armadilha se tratasse.

Serei eu a tua presa?

O sol brilha...longe...muito longe da minha gélida gruta!

terça-feira, 27 de novembro de 2012

Declaração de Amor

Como é bom namorar!
Lembro-me da última vez que namorei, foi há muitos anos atrás!

Tive apenas três homens na minha vida por quem posso dizer que me enamorei verdadeiramente.
Nunca fui muito feliz no amor, era demasiado obsessiva, mas sei lá...acredito pouco no karma,  muito menos na reencarnação no entanto sei que tudo se paga neste mundo, mas não sou mulher de muita fé.
Dos homens que verdadeiramente amei, dois morreram, o primeiro, dono de uns hipnotizantes olhos verde mar e de uma voz forte, na minha adolescência, o segundo era o meu pai que apesar de ser extremamente calado, cada vez que falava, lançava de uma só rajada, palavras que me deixavam a pensar durante horas, faleceu dois meses antes da minha filha nascer, há seis anos.
O terceiro...por quem tenho muita estima acima de tudo, homem de personalidade forte, espero que seja verdadeiramente feliz, que consiga amar em toda a sua essência, que viva por muitos anos...e que namore...
Admito que nunca lidei bem com a perda e tenho um mau perder de fugir...também só damos valor ás pessoas quando realmente percebemos que as perdemos.

Mas estava a contar...que tenho saudades de namorar, amo todos os dias, mas namorar...

porque me fazes sorrir.
quando me olhas nos olhos, me dás a mão e passeamos pelos jardins ao pôr do sol.
na surpresa do aconchego de uma flor.
porque sei que posso chorar no teu ombro e que me enxugas as lágrimas com beijos.
quando depois de uma discussão violenta me sussurras ao ouvido: "Que vamos fazer logo à noite?"
quando me dizes olá de manhã e me envolves no teu corpo num abraço fraterno.
porque discordas comigo, mas somos amigos sem julgamentos,
por me deixares ser eu.
quando me atiras pedaços de doce e nos unimos na disputa de quem vai conseguir ficar mais sujo.
em sermos adultos, mas conscientes da nossa meninice.
quando saímos à rua...e de repente me puxas por um braço e nos amamos em cada esquina.
na estupidez que é o Amor, no ridículo em que caímos e não nos importarmos nada com isso.
quando me lês a mente, no murmúrio do silêncio.
no valor das minhas mãos, dos meus pensamentos, nas horas em que estamos sozinhos...
na mudança que fizeste na tua vida para acompanhar a minha.
Amo-te porque amas primeiro a minha rebelde cria e só depois a mim.
Amo-te porque me Amas, só porque sim!











domingo, 25 de novembro de 2012

Inferno

Borbulham áspides nas minhas raizes.
Desconsolo atroz que me carboniza a alma.

Na profundeza negra exalam odores,
que despertam os meus sentidos.
A fúria levanta o meu ser,
que me faz seguir pelos campos destruídos.

Descarrego o meu ódio nas fornalhas da tua essência.
Invado a tua semente como um tormento,
que renasce a cada investida.
Vaporosos somos na nossa pertença.
Mistura-se em mim a imensidão da tua revolta.
A voz que te entende deslumbra-se,
no calor do nosso desejo.
Nas minhas mãos percorro o teu interior,
em busca da devoradora eminência.
Lutamos sobre a violência que nos consome.
Deleito-me com a tua insubmissão.
Ardemos na mais imperfeita indecência.


Queimam corpos ignobéis na lucidez desesperante da realidade...


Clamam! Para se juntarem a nós...


Partimos ao largo de tanta podridão!



extremis

descansa em nós um dia de chuva
da voz rouca solta-se o grito que te eleva

hoje a obscuridade é uma constante
não quero que a sombra saia de mim
porque a dor alimenta a minha força
e...
num repente...

nada me salva
a não ser a escravatura da tua mão incerta

o teu nome é uma palavra e em ti coloquei a minha ordem

 

sábado, 24 de novembro de 2012

Provas dadas, culpas aceites!

Tava a demorar!
Porem-me á prova e desta vez foi quase em todas as frentes!

Gosto imenso de pessoas cinícas!
Dão me pica para aprender a ser espiã! Curto do Riot!


Várias regras básicas da minha sobrevivência

- Não desejar mal a ninguém. ( cuidado com a "lei" do retorno)
- Não usar a capacidade extra-ordinária (sim, ao contrário de muitos, não sou extra nem sou ultra, sou só ordinária, conto até 1,2,3 e por aí fora, apesar de não ter sido grande barra a matemática) em nossa prol a fim de prejudicar o próximo.
- Não cobrar por isso. (pois a ambição desmedida faz corromper a nossa integridade, perdemos os escrúpulos, é quase como se nos agarrássemos à droga.)
- Invejar saudavelmente. (sim, porque existem invejas que são saudáveis, pelo menos para mim)
- Não colocar os outros à nossa mercê, manipulação, principalmente mental, para nosso proveito, (cago bem nos patrões, sejam eles de que tipo for, ninguém me vem colocar comida na mesa se eu não mandar as "sementes á terra". Não, não sou boa agricultora, gosto muito de actos, de palavras e de lhe chamar generosidade! Não vou ficar à espera dos outros e muito menos seguir os seus conselhos à risca, apesar de reconhecer que os mais velhos têm sempre uma palavra a acrescentar, lamento, tenho uma cabeça que é minha, não tenho túbaros, mas tenho outra coisa no seu lugar que fazem as suas vezes, a minha força de vontade)
- Trabalhar sempre, nem que seja a nossa cabeça para que o nosso intímo possa ser limpo. (todos temos um lado negro, sem dúvida mas, mete-me nojo quando sinto que existem parasitas atrás de um belo sorriso em prol da "boa vontade", o Mundo é tão lindo, não é?! Somos todos especiais! É tudo tão gentil! Puta que pariu essa "caridadezinha")
Dentes brancos, coração podre, ouvi dizer a quem é muito Antigo!

Se eu quisesse ser "boazinha", enfiava-me numa sacristia a limpar custódias e mesmo assim fazia olhinhos ao padre se fosse um gajo interessante!





Mais:

Os escândalos a mim, nunca me meteram medo, eu até gosto de escandalos, principalmente se for á frente da igreja para os fieis se benzerem! Nas pedras da calçada! Ou á porta dos ministérios! Ou á porta das esquadras! Ou até á porta da minha mãe se ela lá não estiver! E que seja bem hardcore!
Escandaliza-me mais pessoas que achamos ser nossas amigas, que quando pensamos poder contar com elas, nos mandam dar uma volta e fazem de conta que não "querem" saber porque estão demasiado entretidas a olhar para o seu umbigo e para os seus fanatismos! Isso é que me escandaliza.

Mas lá está, eu é que sou a culpada, ponho os expectativas muito altas, acredito demais.
Se calhar devia ser mais desconfiada, um olho no burro, outro no cigano, devia fazer mais filmes, de preferência porno! Sempre ganhava uma guita!
No entanto há pessoas que só pela maneira como falam lhes descubro o carácter! E algumas enganam-me bem!


Tenho bons amigos e bons conhecidos, poucos e os que tenho gosto de os preservar, até ao dia que me pisem os calos.


Sempre gostei de desafios, fazem me puxar por mim, pelas minhas capacidades, pelo intelectuo e pela ordinarice.

E gosto de manipulação... mas é só na cama!



segunda-feira, 19 de novembro de 2012

Kaos escreve

Kaos escreve:

Soltem-lhes os cães de trinta cabeças!
Soltem-lhe a alma desesperada!
Soltem-lhe a víbora e que morra em seu próprio veneno!
Soltem-lhe o abandono consequente!

Amarrem-lhe o interior!

Chamaste-me!
Numa só palavra se sente o poder da minha Senhora, a quem o infortúnio colapsou no abismo!
O respeito sobre as mentiras!
Dança em mim a tua essência!

Entre os lamúrios!
Entre a zona de guerra!

Numa terra de néscios desperta a força bruta da destruição compacta!
Para que ninguém se sinta comprometido pelas suas próprias mãos, em si reina Kaos!

E só a mim!
Para que se sinta única, nunca mais será a mesma!

Soltem-lhe a lingua que fala sem que ninguém a perceba e só eu a entenda!
Soltem-lhe o poder da destruição!
Façam-na sair de noite!
Os corvos voam de madrugada! 
A vontade avassaladora de nunca ser apanhada na ordem das suas acções!
Levantam-lhe as mãos, mas não lhe cortam a cabeça!

Em ti faço vénias ao teu despudor! Ao teu corpo! À tua paixão!
Amamo-nos consecutivamente dentro de todas as celas!
Fortalecemo-nos com a substância que nos sai das entranhas!
Os votos cozeram-se no caldarium da Inquisição!
Não obedece! Não se humilha!

Soltem-lhe a besta humana!

Lança o poder que te dou, controla a tua mente, porque eu nunca te abandono!

Solto-lhe os cães de trinta cabeças e amarga a água que lhe sabe a sangue!

Não ouses voltar ao mesmo! Perde a esperança! O medo assola-te! O desespero dos pesadelos!
Os remorsos!
O choro compulsivo! Os gritos! A angústia! A perda da sua cria! O declinio a que te sujeitas será pior do que o que lhe deste!
A podridão das tuas raízes! A dor!

A perseguição da Visão! Vale-te dos perseguidos errantes que desvirtuam o seu próprio ser, serão presas fáceis à minha chegada!

Que a paixão que nos une seja eterna para que em ti viva a minha justiça!
Envolvo-te em fios de prata para que voes para lá do firmamento! O mensageiro que chega com o cheiro moribundo da Morte, não te assusta! Faz-te viver ainda mais nas forças que eu domino! O poder caótico do nosso interior! O Fogo!

O Fogo Iluminado que destrói tudo à sua volta! Arde!

















Também não sei!

Onde é que ele está?! - pergunto eu
O quê? Não percebo!

Onde é que ele está?!
Não sei, está longe, isso faz me sentir preso.

Onde é que ele está?
Mas o quê? Não te consigo entender, não percebo, não interiorizo essas coisas que tanto dizes que existe, existe só na tua cabeça! Acho que isso não existe, mesmo!

Isso o quê? O que é isso, afinal?
Não sei, responde me tu em que falhei!

Eu também...falhei! 

No limiar da paixão é sempre tudo bom, viver-se intensamente, mas quando isso acaba, deixou de existir o que eu tanto considerava apaixonante.

Queria voar pra lá do firmamento, beijar o sol e aquecer-me nas tuas asas! Unidos, não era preciso concordar com tudo, que investigasse o porquê e sempre tivesse do meu lado, como corvos que voam aos pares, intuitivos, curiosos, astutos, que se picam, que lutam, que resistem, que amam, que odeiam... que colaboram com o seu bando, mas que nunca se largam até morrer o sentimento. Na confiança que tanto me faltou.
No admitir perante nós que estamos felizes, incompletos, mas que caminhamos para atingirmos um objectivo...fosse como fosse...mas viver com dignidade!
Na atribulada paixão... perdeu-se a minha inocência! Mas ganhei a força que me faz resistir sozinha!
A independência de sentimentos!

 
A erupção das nossas vidas!

Nas caricias e nas palavras doces! No carinho... essencialmente na falta dele!
Porque sem carinho, não existe compreensão!






domingo, 18 de novembro de 2012

Acontece...

Um dia em que gostava de não ter crescido mais, podia ter parado no tempo e ficado apenas pelos meus quinze anos.
Quando se está na flor da vida, não existe ódio.

Odeio-me! Odeio isto tudo! Odeio te a ti, odeio me a mim, odeio os outros, odeio tudo!
Não quero mais saber se amanhã o dia nasce melhor, porque eu não quero cá estar!
Não quero existir! Não quero sentir!

Nojo!
Tenho nojo de mim própria cada vez que me lembro que pérolas foram dadas aos porcos e fui eu que fiquei na furda, no charco a cheirar mal! As pérolas não se comem, admiram-se!

A tristeza e a solidão são dos melhores aliados que podemos ter!
A sofreguidão, a frustação, os sentimentos que não consigo descrever, pois o que me consola é a destruição.

Odeio, tenho um ódio de morte! É que me consome a cada dia que passa em que não consigo decidir o que fazer, o ódio ao desespero.
Odeio bloqueios, odeio tudo o que rodeia!

E quanto mais odeio, mais me destruo! E quando mais destruo, mais me completo! Porque eu quero que isto morra! E que não volte mais! E só a morte negra me faz feliz!

Sempre que odeio, sinto que existe algo que me ama, a minha sombra! Essa...acompanha-me sempre e não me tenta foder!

É sempre a foder o próximo, a foder tudo! Que tudo se foda!

Porque neste planeta toda a gente se fode...à grande e à francesa!

Temos...pena!





quinta-feira, 15 de novembro de 2012

Viúva Negra

Cristina matou o companheiro de aventuras.
Ao fim de quase um ano de desespero, Cristina deu-lhe trinta e cinco facadas no coração, tantas quantos os anos da sua existência.
Cristina nunca soube o que era amar, teve vários companheiros e quando encontrou o homem que julgava ser o único da sua vida, achou que tudo era possível fazer-se, o impossível e o óbvio.
Toda a sua existência sonhou com uma união perfeita, com os seus altos e baixos, decerto, mas os sonhos desfizeram-se quando a violência chegou aos filhos em comum e à sua integridade.
Deixou de acreditar em sonhos, deixou de acreditar que a felicidade era possivel, deixou de ser ela própria,
Conquistou a pulso a sua independência, estudou, aplicou na sua vida o que aprendeu para depois ser totalmente destruída por um cilindro manipulador.
Ainda hoje chora pelo seu impulso, mas não consegue desligar-se das situações que absorvem o seu pensamento.
Cristina não conseguiu suportar o campo de batalha sentimental a que se sujeitou, às traições, ao desrespeito, as noites alcoólicas, a falta de apoio, as depressões, a falta de liberdade.
Ainda hoje se veste de negro, como se quisesse colmatar essa falha que acha no seu interior, um autêntico delirio. Nunca irá voltar a ser ela, depois de ter sido subjugada aos prazeres perversos de António, às noites em que ficava sozinha a cuidar dos filhos enquanto ele se desdobrava em prazeres fora da sua vista, viveu uma união de conveniência por parte dele, mas apercebeu-se a tempo e vingou-se. António nunca mais lhe fará mal.
António foi a sua morte. António será o seu renascer.


Acredito que existem pessoas que vivem autênticos infernos, tanto físicos como psicológicos. Precisam libertar-se a elas próprias. Identifiquei-me em parte com este testemunho que tive a oportunidade de ouvir e de sentir enquanto me encontrei em clausura interior longe da civilização. As lágrimas correram-lhe pela face enquanto descreveu todo o seu desespero, toda a sua angústia. Cristina foi absolvida pelo tribunal do seu "crime", mas não se perdoa a ela própria! Continua em tratamento!

Acredito que hoje em dia, o amor verdadeiro existe só em algumas pessoas que tentam ter uma mente  sadia. O amor, a velha questão, o sentimento "fugaz" em que tudo pode ser posto em causa.
Não estou a falar em possessão, mas sim em respeito mútuo, a mim sempre me fez muita confusão o facto de haver casais que no alto da sua união, permitissem que um deles saltasse a corda. Vem-me à cabeça o velho ditado: " Coração que não vê, coração que não sente" Pois bem, faz todo o sentido, não tem a ver com moral, tem a haver com educação e com respeito, sem ele não existe liberdade.

As uniões de conveniência ou as chamadas "relações abertas" matam o sentimento que une ambos os intervenientes. A não ser que os mesmos se sintam bem com essa condição. De qualquer forma, na minha opinião, é porque existe algo que falha, atracções fisicas toda a gente tem, mas passarem ao acto, deixa de ser legitimo, deixa de ser um amor genuíno. Nesse caso, a meu ver, acho que o melhor é ficarem sozinhos, assim não se magoam a eles próprios! Válido para todo o tipo de pessoas, independentemente da sua opção sexual, porque o que interessa é o que se sente. Quando se ama, ama-se! Não quer dizer que não aconteça, comigo já aconteceu, mas senti-me mal com isso. A carne é fraca, mas o espírito consegue ser mais forte quando se tem um corpo limpo! Existem muitas formas de amar, o problema reside apenas na maneira como o concebemos na nossa cabeça e como o sentimos, o poliamor! Não sou adepta da poligamia, apesar de admitir que todos nós temos fantasias! E não quer dizer que não as concretizemos, simplesmente acho que essas fantasias são apenas lapsos da nossa insatisfação. O Homem é insatisfeito por natureza! Aos poucos vou conquistando o meu amor próprio, aquilo que considero ser benéfico para a minha vida, estava escondido, a minha dignidade, o respeito por mim mesma, apesar de haver sempre quem me tente confrontar. Já houve quem o tentasse destruir, mas aquela réstia de integridade que nunca se perde fez com que a minha natureza viesse ao de cima. O que é inato! Estamos sempre a ser postos á prova! Talvez seja uma sonhadora que acredita em contos de fadas, talvez um dia me apareça uma abóbora azeda que dê para transformar em doce.

Porque o amor é isso mesmo, um doce, uma união em que ambos se querem, em que ambos se respeitam, em que ambos se completam. É o dar e receber, sem querer nada em troca! A unidade do ser! Não somos deuses, somos energias! A energia que nos faz unir uns aos outros, a energia que nos protege, a unidade que nos faz ser livres, independentes, opostos nas nossas diferenças, mas ao mesmo tempo unidos em toda a nossa plenitude, a indestrutível leveza da paixão que corrói as nossas entranhas, a entrega sublime de ambos os corações! E o que é sublime, é divino!










quarta-feira, 14 de novembro de 2012

Desabafo Inconsciente!

Ao contrário do que muitos julgam, o sarcasmo e a ironia para mim não são armas de cobardes, mas sim as melhores armas que se podem ter em determinadas circunstâncias, isto porquê?! Porque há quem não saiba lidar com a realidade e a melhor maneira de os fazer acordar é através do ridiculo!
Não tenho medo de parecer ridícula, o ridículo faz nos pensar, reflectir! E também não tenho medo de enfrentar a realidade, ela existe, mas eu também não sou obrigada a ter que lidar sempre com ela e como sou contra a violência fisica, mas a favor da violência interior, no sentido em que pretendo atingir a minha plenitude e trabalhar o meu intimo, gosto de atingi-los no seu ponto mais fraco, o cérebro, que está intimamente ligado ao coração! Não foi por acaso que nesta última manifestação contra a Merkl, em que alguns manifestantes fizeram rir o primeiro cordão de policias, gritei: "Afinal, a policia tem sentimentos" e o gajo conteve-se, voltou a tentar mostrar-se sério, porque o atingi onde menos esperava. Os palhaços da vida real existem, são os que mandam nesta merda toda e nos exploram a cada esquina! Mas há mais...Os "palhaços" incobertos, os que nos tentam denegrir, os que usam a  frivolidade do desapego, os supostos "amigos", mas esses...são aqueles que na minha opinião ainda não encontraram a sua forma de estar plena e normalmente ofendem-se quando não querem admitir os seus erros, as suas necessidades, a sua natureza. Preocupam-me! Preocupam-me porque sou amiga deles, sou amiga de toda a gente, só não admito é que me queiram prender o pensamento! Normalmente não sabem dar a outra face, falta-lhes humildade e principalmente espirito critico construtivo, tanto para eles, como para os outros e não gostam de se rir deles mesmos, porque se auto flagelam na sua infindável frustração!
E quem não sabe rir de si próprio, é no fundo uma pessoa triste, cheia de medos e inseguranças! Fogo, não é tão bom sorrir! A vida em si já é tão frustrante! Interrogo-me diariamente! Acho que até ao final dos meus dias, irei interrogar-me sempre, porque quero ser uma pessoa melhor, não se nasce puro, nem perfeito, a pureza nunca a alcançamos, nem a perfeição, mas o interior pode ser trabalhado, com muita serenidade, com muita calma, com muita introspecção, por isso faço retiros espirituais!
Todos nós somos inseguros, eu sou, mas começo a perceber que a minha insegurança é menor que a minha fragilidade! Há que saber dar-lhe a volta e tirar dela apenas o sentido positivo! Só assim somos vencedores!
Não simpatizo muito com pessoas de cara séria, que levam a vida com aquele ar aparente de que tudo corre mal e que se tentam convencer de que as coisas correm todas bem! O falso optimismo! A melhor maneira de os fazer cair por terra, é sorrir-lhes! Por vezes têm esse semblante sorumbático para não apresentarem confiança, como se quisessem dizer: " Não te metas comigo" (lembram-me os policias!) mas no seu intimo traduz-se pelo sentimento de medo face a quem os encara, a quem os enfrenta, por vezes! Ou então, não se querem dar a conhecer, mas isso, também é lá com eles! Toda a gente tem direito à sua privacidade interior e ás suas formas de defesa! Não somos, nem temos de ser todos iguais! As coisas, as situações correm como tiverem de correr, mas odeio falhar, odeio!
Odeio falhar porque não gosto de ter que fazer as coisas novamente, por isso planeio tudo o que faço, ou pelo menos tento e tenho sempre um plano B, para poder voltar a fazer tudo, mas de outra maneira. Para que isto possa ser assim de uma vez é preciso muita serenidade e é isso que busco incessantemente!
Por vezes acontecem imprevistos e aí usufruo do improviso, do ter que me desenrascar assim num repente, dá me força, dá me coragem e animo, como se fosse aquela vitória interior que me faz voltar novamente a ter ideias novas. Sou uma aventureira!
Sou demasiado meticulosa e extremamente dedicada naquilo que faço, quando quero, quando sinto que é importante, quando sinto que há algo que me pertence...mas por vezes perco-me no meio de tantos pormenores!
E gosto de investigar, principalmente modos de pensamento, porque sem pensamento, não existe criação!
E sem isso não evoluímos!





segunda-feira, 12 de novembro de 2012

Vicios, raiva, virtudes e adágios!

Epá, são exactamente seis da manhã e acordei a rir! A rir para não ter que chorar com tudo o que se passa à minha volta! Tinha de vir escrever!
Vivemos num Mundo cheio de hedonistas, sádicos e masoquistas!
Cada vez menos tenho vontade de sair à rua, devia ter ido para freira, enfiava-me num convento e passava o resto da vida a cozinhar e a criar doces conventuais. (benditas as maças assadas que eu ontem comi regadas com um belo licor de alecrim)
O sarcarmo realmente é mesmo a minha forma de poder fugir à quantidade de merda ridicula que me querem impôr.
E só me consigo mesmo rir!
Isto, porque cada vez mais as pessoas me decepcionam, bem, nem todas, mas muitas por quem eu tive e tenho grande estima, por vezes desiludem-nos, mas isso...cada um é como cada qual, certo?!
E deixem me criticar, por favor, também tenho direito à minha raiva!
Foda-se, já me fazem falar mal! E falar mal, não é mau, o que é mau é falar mal dos outros sem estar por dentro da realidade! Lindo, boa contradição! Quem é que nunca falou mal dos outros?! Os hipócritas que se assumam!

Esta visitinha linda que vamos ter, só me vai fazer rir ainda mais, o povo está perdido, estão como os politicos, mas esses sempre têm como comer, há muitos que nem isso, é triste. Vamos lá ver se a galinha dos ovos de ouro ao menos possa ser abatida no cumprimento do seu dever por um sniper consciencioso,  faz se uma canjinha doente para oferecer como iguaria aos seus lacaios, também podia beber água com veneno, mas não era para morrer, era para depender dos outros no seu leito misericordioso! Não desejo a morte a ninguém! Quer dizer...morte não desejo, mas que há gente que se morresse, a mim não me faria falta, lá isso...

Tal como os politicos, também há quem já nasça perdido, são os que não sabem usar uma bussola!
Reactivei a linda página do meu facebook, mas começo a achar que aquilo continua na mesma, falam pa cacete, escarnecem até ao osso! É só cromos, raros! Vou comprar uma caderneta, aconselharia todos a fazer o mesmo, assim podia-se trocar os autocolantes! Foda-se não têm nada para fazer, batam umas punhetaszitas que isso passa! Bem, nem todos, há pessoal altamente e é mesmo só por isso que aquela merda ainda não foi à vida! Muitos são, verdadeiros artistas, pessoas sensiveis e educadas, prezo muito a sua amizade, tanto pessoal, como virtual!
Depois há os que engatam, esses então, partem-me a loiça toda! (vou começar a usar pratos de plástico)
Os que se picam por dá cá aquela palha, os que cuscam (como eu) só para tirar ilações! Eheheh, uma festa!
Os que debitam palavras como se fossem metralhadoras, mas não conseguem fazer disparar as balas! E muitos outros!
Bem, uma coisa é certa, se eu fosse ligar a tudo o que dizem, qualquer dia, plastificava os ouvidos...com preservativos!

Bendita a minha boa disposição! Se eu não me levantasse todos os dias com um sorriso na cara, morria de tédio, apre, que esses dias já lá vão! Finalmente começo a ter os meus hábitos normais, a levantar-me cedo, a dizer bom dia aos pintasilgos (e não é à ex-primeira ministra) que fazem ninho nos salgueiros, há dias vi uma bulha entre dois machos digna de uma verdadeira história de amor! E a dizer bom dia ao Mundo, ao Mundo que eu quero tanto preservar!

Bem, este tem sido o meu vicio, sorrir e saber rir, principalmente de mim própria! Não é ironia, nem cinismo, é mesmo verdade! Faz menos rugas e dá sempre "bom aspecto", não consigo imaginar que há uns tempos atrás me estaria a tornar numa miuda, (sim, porque eu ainda sou uma miuda) triste, e a merda toda, é que a tristeza mata!

Foda-se, (mais uma vez) gosto de me sentir assim, livre, senhora da minha vida! Mas já estou mesmo a ver que daqui a dias há de vir um cabrão ou uma puta qualquer tentar mandar esta merda abaixo, só porque sim! Mas enganam-se! Havemos de cá estar para ver! Quem ri por último, ri melhor, e não é que é mesmo verdade, bem, também já chorei tantas vezes...
Cambada de invejosos, gosto de cotovelos, mas é na sopa! E dos pequeninos!
Eu tenho lá culpa se ser boa gente, de ser aberta com todos, de dizer o que penso e sempre na curte! Deve ser deste meu à vontade que ficam todos à nora! Não, ia-me limitar! "Ah, eu também quero ser como tu"!

E agora muitos julgam: "Isto só visto, de facto a estupidez humana não tem limites!" e eu por vezes sinto-me assim, estupida para vosso deleite!

Estupida, mas com uma força do caralho para "vos" mandar foder a todos de uma ponta à outra! Se eu quisesse ir para juíza tinha seguido magistratura ou então cometia delitos só para ir a tribunal!

Bem...todos, não, há muita gente de quem eu gosto muito, os que eu não gosto com o tempo vão se apercebendo, os que eu tenho pena, mando-os à igreja, os que tenho amizade, abraço-os, os que ainda não conheço, serão sempre bem vindos, os que me são indiferentes deixo-os estar, não se mexe na merda, senão ficamos a cheirar mal! Quem se deita com meninos, normalmente acorda mijado!
E eu gosto bastante de tomar banho, nem que seja à chuva, refresca as ideias, eleva-me a mente!

E tenho outro vicio, a sabedoria popular, os antigos sabiam muito e muita dessa sabedoria foi-me transmitida para eu a poder aplicar na minha vida, é só saber escolhe-los na altura devida e ter atenção em os perceber nas entrelinhas! Sou viciada em metáforas!

Como eu não sou hipócrita, apesar de reconhecer que gosto pouco que me digam o que fazer e como fazer, termino apenas com este adágio simples, comum a todos e que me vem à cabeça muitas vezes:

Presunção e agua benta, cada um toma a que quer!

                  Mas não há nada melhor na vida do que acordar feliz por estar viva!!











quarta-feira, 7 de novembro de 2012

Paradoxo Simbiótico do Existencial


O que é o Homem?

Um ser vivo.

O que é a Mulher?

Um ser gerador.

O Homem sem a Mulher não vive, a Mulher sem o Homem não existe.




O que é o Medo?



O Medo é o vazio.

E o que é o vazio?

O vazio é a insatisfação.

E porquê é que os Homens não conseguem colmatar essa insatisfação?

Porque não atingem um Conhecimento suficientemente vasto que lhes permita resolver todos os seus problemas. Por isso estão em constante busca de si próprios e em evolução. Sem isso não seriam Homens.

É possivel perder o medo?
É possivel, sim, através da reflexão interior, através da auto analise que nos fortalece e que nos faz dignos da vida que temos, porque sem luta não existe vitória, sem esforço, não existe triunfo e sem vontade continuamos a ser apenas mais um entre milhões que se deixam ir pela corrente do esgoto, por isso temos o Mundo que temos.
É preciso termos uma grande consciencia sobre nós próprios e não termos receio de nos enfrentarmos. Os Homens acham que não têm capacidade para serem melhores, porque são condicionados e é preciso essencialmente cortar as correntes que nos prendem, deixar os apegos materiais como emocionais, tais como a raiva e o ódio e todos os que nos são prejudiciais, viver a paz, o amor, a fraternidade, viver o espirito da natureza, e aceitarmo nos como um pedaço dela, só assim descobrimos a essência do nosso existencialismo.








segunda-feira, 5 de novembro de 2012

Paradigma idealista


Começo por dizer que cada dia que passa, me sinto mais próxima da realidade e é deste modo que volto a escrever.
Neste caso, porque houve quem quisesse tentar perceber a relação entre os termos que eu tantas vezes utilizo que são apenas termos e que qualquer individuo com dois palmos de testa os saberá decifrar se seguir uma determinada lógica e se souber interpretar a semântica das palavras dentro do contexto onde estão inseridas.

As palavras são Caos e Anarquia e é deste modo que as vou desmitificar.

Quem leu "O Druida", apesar da sua extensa narrativa, não deixa de ficar curioso relativamente ao conflito descrito na parte mais conclusiva da história.

Sou convicta daquilo que sinto, sofro de uma utopia.
As utopias são sonhos e o que seria do Homem sem eles?!

Anarquismo!
Não deixa de ser um conceito muito real, desvirtuado por muitos, incompreendido por vários e possível apenas quando este sistema rebentar e quando todos nós tivermos consciência do mal que andamos a fazer ao planeta e ás gerações vindouras, mas sou da opinião que pode ser transportado para o campo etéreo, metafisico, espiritual, politico, filosófico, empiríco, e muitas vezes a desculpa para expressar uma sensação de revolta.
Porquê?!
Porque o homem pode ser matéria, mas como materializa os sentimentos? E o que são os sentimentos, o que é o espíríto? A nivel de sentimentos não me saberei expressar muito bem, serão disposições, energias?! Os sentimentos e o espírito são simbióticos que por sua vez se manifestam em vontade! E o que é a vontade?! É uma decisão! Uma atitude! E essa atitude tem de ter e ser uma força, para que se consiga chegar ao objectivo.

As atitudes são impulsionadas pelo nosso estado de espirito, e atenção, isto não tem a ver com religião.
Tem a ver com filosofia, com auto-conhecimento, com a educação que tivemos tendo em conta a carência ou a abundância de valores e reside essencialmente se os queremos ou não aceitar, tem a ver com a luta de querermos ser cada dia melhores, com equilibrio interior que me falta muitas vezes, aliás, diariamente estamos a ser postos à prova.


Resumidamente e em lato sensu as palavras Caos e Anarquia elas são nada mais, nada menos do que um complemento uma à outra.

Caso prático:
"Destruir para Construir" - esta expressão define a simbiose entre os dois termos.
Na sociedade onde vivemos é necessário uma remodelação, uma revolução para que o que venha a seguir seja benéfico para todos e conseguirmos viver em comunidade. Necessitamos de uma consciencialização geral baseada no altruísmo de modo a irradicar o capitalismo selvagem opressor, individualismo, individualismo esse que não pode interferir ou prejudicar o colectivo ao qual todos se propoêm a cooperar.
Nunca esquecendo as ovelhas ranhosas, essas têm de ser tratadas!
Como? Perguntas difíceis, aptas a serem discutidas por várias cabeças, só assim se chega a um consenso. 
Já pensei no que seria deste país se toda a gente deixasse de apresentar os rendimentos ao fisco! Levariam anos a levantar a economia, enquanto isso podia-se voltar à troca directa de bens e serviços, mais um sonho!
Ou então fazemos sozinhos a revolução, a mudança, mas não estaremos a agir deste modo de uma forma individual?! E essa mudança não tem de começar dentro de nós!

Caso metafisico/espiritual/ teoria dos pares:
As forças existem e só há dois tipos: as boas e as más e nelas tem de haver um equilíbrio, os humanos são como as forças, atrevo-me a dizer, os humanos são a força.
Há quem consiga interiorizar essas forças e dependendo do tipo de energia que canalizam, boa ou má, utilizam essa capacidade para se auto gerirem, para viverem em paz com os demais e consigo próprios, se a souberem aproveitar para o bem, é o chamado equilíbrio interior, mas muitas vezes utilizam-nas para manipulação de terceiros, para a má índole, para a soberba, o egoísmo, a cobiça, a critica sem fundamento, a falta de introspectiva, no fundo tudo isto são manifestações de fraqueza, de fraqueza de espiríto, existe uma lacuna esquecida, caso não tenham controle sobre si próprias, caem rapidamente no abismo, façam o que fizerem, mais tarde chega a lei do retorno, (A) regra, porque desprovido de valores e de princípios o Homem não existe, vegeta, frusta-se!


No meu caso pessoal e dado ao facto de ter sofrido na pele uma enorme perda e por nunca a ter sabido superar, refectia nos outros essa carência, daí o necessitar de um complemento.

Eu sendo a força Anarquia e Caos, Carlos, a alma a quem eu me quis juntar tantas vezes, quem me ensinou a ser livre na minha adolescência, quem me transmitiu valores intrínsecos que cresceram e fazem parte de mim como individuo, incluída nesta aldeia global, que muitas vezes mais parece um charco era sem duvida a força que me completava, a união perfeita entre dois seres, éramos muito novos mas compreendiamo-nos em plenitude.

 Por esta ordem de ideias:
Anarquia significa sem governo, rebelião, mas que por sua vez está intimamente ligado ao facto de obedecer a uma ordem, a ordem Universal, Caos completa-a porque existe uma regra, a regra de ambos conseguirem viver dentro das suas diferenças, a tão chamada Liberdade, o Amor de Verdade.

Os crentes em doutrinas espiritas, acham que pode ter sido uma expulsão de demónios, os mais cépticos, uma grande moca.

Não descarto nenhuma destas hipóteses, mas gostava mais de me restringir à realidade empiríca que me fez a mim voltar a ser uma curiosa pelo desconhecido, o investigar, o experimentar, o auto-conhecer.

E posto isto só tenho mais a acrescentar, porque me levantei com esta expressão na cabeça:

As palavras exprimem os nossos sentimentos, mas as atitudes espelham o nosso carácter.
















sexta-feira, 2 de novembro de 2012

Mensagem



Pouco tenho já para escrever!
Não tenho muito para dizer, apenas sentir!

Sei que ambos incorporámos quem não conseguimos ter! Por quem sofremos e por quem amamos tanto!
Unimo-nos ás energias que nos observavam!

Foi única a liberdade! Difícil o confronto interior!

A união...sublime!

Nunca ninguém disse que saber amar era fácil! É como viver! 


Eu nunca lhe toquei! Não sei como seria! Esse era o nosso voto e esse o meu desejo!

A vida não é nada! Não somos nada! Somos...o que quisermos!

E somos restos de leviandade!
A perfeição existe apenas na imaginação dos humanos, mas o facto de o sermos nem sempre pode servir de desculpa para o que fazemos de mal!


O barco chegou a bom porto, o momento é de reflexão!
Sinto-me em paz e aqui dentro reina a tranquilidade!

Obrigada por me fazeres ter e ser a dádiva concebida, a dádiva concedida!

Morrer não faria sentido! Na vida terrena é dificil entender quem não nos quer perceber!

Não é possivel mudar a vontade dos outros, se eles próprios não quiserem mudar!

Deito por terra a expressão: " O amor é como a droga" 

Mas tenho consciência que tudo pode ser viciante se o controle não depender de nós!

O entendimento mora em mim e em mim morrerá!




Estou feliz!

As forças estiveram presentes, sempre o estarão!

Existem pessoas que preferem ficar sozinhas porque têm alguém que lá longe chama por elas e eu faço parte dessa pequena minoria!
A sensação de perda nem sempre se consegue superar, mas isso não quer dizer que não possamos ser felizes com o que temos à nossa volta!

A vida não é um filme, embora muitas vezes possa haver algumas semelhanças! São os mitos e os mitos são os Homens que os criam!

Voei apenas na leveza do espírito!!

















Gracias! Thank you! Merci! Danke! Obrigada!!



E numa só palavra

Talá Sacaré




quinta-feira, 1 de novembro de 2012

O Druida






A manhã acorda sonolenta com o motor da carrinha á soleira da minha porta.
A surpresa foi inevitável. Eu própria não acreditava que fosse possível terem vindo de tão longe buscar-me. Entre um sorriso e um abraço fraterno, percebo que no dia seguinte a jornada seria longa.
Saímos depois de almoço.
As várias horas de viagem pareceram uma eternidade, no entanto senti que aquela demanda não era em vão.
Escondida, insegura nos meus pensamentos, ao fim de algum tempo, perguntei por duas ou três vezes, curiosa:
- Onde me levas?!
Das vezes que perguntei respondia –me com um sorriso! Fugindo ao assunto a conversa de “vagão” girou sempre á volta do mesmo, ideologia, religião, politica, viagens, filosofia, modos de vida…
Numa das últimas estações de serviço, antes que eu voltasse a perguntar, como se lesse os meus pensamentos, respondeu-me com uma piscadela de olho maliciosa.
- Á Terra do Nunca, pode ser?! Prometido é devido, lembras-te?! Adorava ser o Peter Pan, só não consigo é fazer-te voar, mas tenho a certeza de um dia vais querer voltar.
- Opá, mais uma expedição, pensei eu, mais um retiro?! Vou poder voltar a falar com o psychodoctor!? Finalmente vou poder contar lhe pessoalmente o que se tem passado comigo nos últimos tempos.

Prosseguimos viagem.

Pelo caminho, vários tipos de aves fazem rodopios na estrada como se nos quisessem acompanhar. A paisagem é cheia de verde, vê-se o Sol a encobrir-se devagarinho por entre as nuvens e as montanhas ao longe.
A caravana pára ao fim de mais de quatrocentos quilómetros ao norte de Espanha.
Desconheço totalmente o lugar, estamos em nenhures, é de noite e não se consegue ver um palmo á frente do nariz.
Nisto ao tirar as malas, lança-me o caminheiro e a lanterna de pôr á cabeça e diz-me:
-Chegámos! Descarrega tudo o que é teu e caminha, sempre atrás de mim, os trilhos como sabes são perigosos e se pões um pé em falso…rolas com as pedras!
Sorrio.
Começo neste momento a tentar lembrar-me do que aprendi anteriormente em Ferrol, mas algo me diz que aquele caminho não vai ter á comunidade onde estive.

Ouvem-se as corujas e outros sons que não consigo identificar, não me sinto assustada, sei que estou na presença de uma pessoa experiente em caminhos revoltosos, outrora já o tínhamos feito, com mais segurança, tanto no terreno como com as pulseiras localizadoras que davam conta se estivéssemos em perigo.

Caminhámos durante uma hora.

Dentro de mim cresce uma ansiedade de descobrir onde estou a ir, ao fim de algum tempo ouço progressivamente ao de leve, risos de crianças, tambores e avisto fumo vindo de chaminés.

Parei, paralisada!

-Lembro-me perfeitamente! A terra do Nunca! A terra que no terceiro dia de trilhos me disseste em sussurro que me irias mostrar, pensava que era tudo imaginação!
-Então?! Anda, estamos quase a chegar, estão á nossa espera! Achas que te ia pregar uma partida!?

Indescritível! Já tinha estado em Portugal, na Ladeira Rio, em Gourim, na Lousã, no Vaqueirinho, mas esta passa todas as marcas.

E estavam mesmo á nossa espera, era dia de festa!
Subimos os degraus escavados na terra que nos leva ao centro da aldeia onde está a fogueira rodeada por muitos dos habitantes, os putos rodopiam ao redor das mães, o fumo do cachimbo roda por todos os que se assentam, novos e velhos.
Sente-se alegria no ar. Sente-se a paz. Festeja-se o inicio do Inverno!

-Bem-vindo ao teu regresso, Sandy! Bem-vinda, Anaise! Estávamos ansiosos por te conhecer!

Exaustos, somos saudados por todos, um dos miúdos puxa-me o cabelo como se me quisesse dar as boas vindas, é impossível não reagir com um sorriso.

-Sentem-se, devem estar cansados e cheios de fome, existe sopa de algas e pão de centeio.

Comemos, aquela comida feita ao fogo era uma dádiva da natureza e das mãos de quem a confeccionou.

No decorrer da conversa, percebo que existem várias nacionalidades entre os moradores, alguns de passagem, suiços, franceses da Bretanha, alguns alemães, irlandeses, ingleses, muitos espanhois, um americano e a única portuguesa, eu!

Entramos noite dentro, os miúdos aos poucos vão-se deitando tal como a maior parte dos habitantes e ao calor do braseiro ficam apenas alguns.

Adensa-se o frio, as mantas coloridas são-nos distribuídas, a conversa centra-se na agricultura e no que se deve ou não fazer perante determinadas pragas ao que me parece.
O cachimbo volta a rodar, não consigo sentir que tipo de erva fumam, mas sinto que é poderosa.

Sinto-me cansada, mas cheia de vida por dentro, quero no dia seguinte conhecer melhor a terra e o povo que me acolheu.

Sandy mantem-se ao meu lado, sorri, as suas mãos estão perto de mim, consigo sentir que quase me tocam, mas parecem distantes.
Nisto, um dos mais velhos, olha pra nós e pergunta:
- Quem és Anaise?
Mal consigo articular palavra e sinto-me quase desfalecer, esgotam-se-me as energias!

-Mas está enferma?!-pergunta

-Não, responde Sandy,  - está exausta, trouxe-a porque sinto que tem uma energia fortissima e há algo que a bloqueia, precisamos libertá-la, precisamos saber como fazer com que perca o medo, há algo nela que sinto não estar bem, as terapias resultam, mas eu sei que ela tem algo que não consegue mandar cá pra fora, vamos ajudá-la! Talvez um dia ela possa fazer o mesmo por um de nós, esta mulher tem a capacidade de poder ver para além dos cinco sentidos. Fizeram-no por mim, façam-no por ela!

Impõem-me as mãos, falam algo estranho que não percebi e foi como se tivesse desfalecido!
Quem presenciou, diz que falei em espelhos, em almas, em olhos, em espíritos e em línguas estranhas.

Nessa noite, dormi ao cerco da fogueira, Sandy nunca saiu perto de mim.

Apresento-vos Sandy, um homem que perdeu os pais e a namorada num acidente de carro, ele o único sobrevivente, viveu quase toda a adolescência com os seus avós humildes de parcos recursos, cedo saiu de casa para correr mundo, conhece quase toda a Europa, percorreu mais vales e montanhas que qualquer montanhista experiente, não tem ambição de ser mais do que é, humano.
Vive de trocas e de experiências, tal como eu, fez um voto, mas ao contrário de mim, não o quebrou. Diz que ainda hoje a ouve chamar por ele quando o vento sopra por entre as árvores do vale onde vive.
Quando nos conhecemos, percebemos que tínhamos algo em comum, a perda de alguém que gostávamos muito e isso fez com que a nossa amizade fosse para além dos trilhos que percorremos.

O dia amanhece esplendoroso, sinto ao de leve uma caricia na minha face ao mesmo tempo que molhada, era Doggy, o labrador que me acorda, Sandy, que segura uma chávena, estende-ma e dá uma gargalhada como se soubesse mais uma vez lêr os meus pensamentos.

-Calma, menina, ainda agora começou o dia, é cedo, logo, logo podemos estar juntos, as surpresas ainda não terminaram. Vamos conhecer Vilar Paraíso, a terra dos feitiços!? Anda, bebe, esse chá é feito de ervas milagrosas e levanta-te!
-Hum?! Terra dos feitiços?!
-Sim, terra dos druidas e das bruxas, não és tu que acreditas nisso?! Vamos conhecer a aldeia, os estábulos, as gentes que ontem não conseguiste ver…e dou-te uma pista… vamos resolver enigmas… esta noite… e vais ter de te segurar, senão…- volta a sorrir malicioso.

Senti um arrepio ao ouvir estas palavras, soa –me estranho, mas ao mesmo tempo sinto-me confiante, é como se fosse um pedaço de céu na terra.
Bebi o chá forte, não identifico o que é, mas percebo que há algo nele familiar que anteriormente já bebi. Damiana, talvez! Perguntei, mas não me disse, respondeu-me ao ouvido em jeito de sussurro: “ Confia”

O cheiro da terra húmida é maravilhosa, os cultivos hortícolas, os animais nas suas cercas de pastagem, os putos que não vão á escola e que aprendem com as familias, vivem livres e despreocupados, longe do stress da cidade e dos rodopios urbanos.
Ali vive-se quase sem dinheiro, vive-se da terra e da solidariedade entre todos, em prol de um bem comum. Vendem o que produzem nas aldeias vizinhas e assim se auto-sustentam.
Algumas casas não têm electricidade nem casa de banho, a TV não existe tal como Internet, telemóveis só no alto da colina.
Sempre que passamos por alguma das casas, vem gente á porta saudar-nos, sorrindo, oferecem-nos fruta, a aldeia é pequena mas no alto da montanha, olhando em redor, parece enorme.

O dia passa rápido por ali, acredito que a Solange ia adorar ter ido comigo, talvez nas férias do Natal ou noutra altura qualquer.

Sandy mostra-me um grupo de habitantes ao longe que monta um tippi e diz-me que é lá que vamos pernoitar.

Entardece devagarinho, passámos a tarde a subir às árvores e a mandar pedrinhas ao rio que corre em toda a correnteza da terra fértil.
A noite vai caindo e a minha vontade de ajudar vem ao de cima, não querem a minha ajuda, dizem que somos convidados, Sandy sorri de cada vez que lhe pergunto porque não me deixam colaborar.
-Acho que têm medo que partas a loiça.- responde

A comunidade começa por se juntar novamente ao redor da fogueira a fim de se reunirem para a refeição comum, trazem as panelas,  temos arroz e tortillas, sopa de feijão e chá de erva doce.

Durante o jantar fazem as perguntas habituais, de onde sou, como fui ali parar, como conheci Sandy, o que faço na vida, como é Lisboa, o trivial, mas um dos mais velhos, Pepe, fixa-me durante toda a refeição, observa-me e sinto-me incomodada.

O cachimbo volta a rodar após se levantar os pratos das mãos de todos, ao chegar a mim, Pepe levanta-se, tira toda a erva que está queimada e de dentro de um saco que traz atado á cintura retira uma mistura de algo que queima e me dá a fumar, mais ninguém fuma, senão nós, partilha com Sandy, nisto, coloca as mãos na minha cabeça e diz ao meu ouvido: “ neste povo existe algo que não conheces e que te vou perguntar” tremi, ao meu redor, consigo ver as caras de todos como se fossem fantasmas e Pepe volta novamente a falar desta vez mais alto, a voz parece-me mais forte:
- O que és, Anarquia?!
Sinto um arrepio por mim acima em estado latente, semiconsciente respondo:
-Anarquia só é possível quando a nossa liberdade não interfere com a dos demais, quando a mesma é aceite e respeitada por todos os intervenientes com e em todas as suas diferenças.
- E sentes-te livre?
-Não, a liberdade não existe, não consigo respirar, o medo assola em cada esquina, o medo do fracasso é diário!
-E porque têns medo?
-Porque não me deixam viver!
Nisto, volto a cair em mim, os olhos de Pepe fixam-me mais uma vez, agita-me, olha em redor e em voz alta, grita:
-Liberta-te! Respeita-te! Vive!
Sinto o meu peito cheio de ar, voltei a mim, toda a gente me acolhe, sinto que estou em família, voltam a tirar-me o cachimbo das mãos, deixam-me respirar.
Ouço línguas estranhas, toda a gente fala e eu entendo tudo o que dizem!
Dizem-se surpresos!
Sinto que devo ter adormecido por uns cinco minutos.



Abro os olhos, Sandy segura-me pela mão e diz:
-Vem comigo, consegues?! Vamos correr! Tens uma força poderosa aí dentro, confia em mim! Anda!

Aos poucos e poucos, vou voltando a estar consciente, algo me diz que o que fumei era algo de extraordinário, forte e potentíssimo, estou a correr pelo meu pé no meio da aldeia em direcção ao tipi, sinto que estamos a ser acompanhados, mas não consigo ver quem nos segue.

Estou finalmente a voltar a mim, mais consciente desta vez.
Paramos!
Sinto-me como que envergonhada, como se tivesse deslocada.
Sandy olha me nos olhos, mais uma vez:
-Menina, Mulher!
Sinto os seus lábios nos meus.
- Não precisas ter vergonha, és humana, és forte, vem! De que tens medo?! Vou lançar-te um desafio! Vamos tirar a roupa, vamos aquecer-nos nas brasas do forte e lançar-nos á água gelada.
-Estás doido?! Achas que vou fazer isso? Vou gelar! Eu nem sei nadar!
-Não vais nada, anda! Não precisas nadar, coragem, guerreira! Então, não vais desistir agora, vais?! Vais sentir-te melhor! Confia! Deixa-te levar! Tás sempre á defesa, aqui ninguém te faz mal! E dá uma gargalhada, fazendo pirraça de mim!

Sei que este processo consiste num choque térmico, não aconselhável a cardíacos, dá-nos resistência, mas em corpos fragilizados pode provocar arritmias, cheguei a presenciar este processo numa comunidade onde estive, nunca o fiz!

O forte era um pequeno casebre de pedra rustica, onde as brasas já se encontravam acesas, alguém tinha tido a delicadeza de preparar aquela sauna, o calor da madeira que ardia fundia-se nas paredes onde estavam colocados suportes com pedras incandescentes, lá dentro estava um calor abrasador.

Tiramos a roupa, juntos aproximamo-nos da fogueira que ardia no centro do casebre, estamos frente a frente, nisto, levanta-se e vem junto de mim colocar os seus braços em redor dos meus ombros, ao ouvido diz-me:
- Aqui tudo é primitivo, aqui tudo é permitido!
Passa-me o seu cachimbo aceso, dou uma passa naquela erva que não consigo identificar!
- Então, gostas da aldeia?-pergunta-me
- Adoro, respondo, isto é mágico, obrigada por me teres trazido e por te teres lembrado de mim, pensava que te tinhas esquecido!
- Como me poderia esquecer de uma mulher como tu! Sabes, és uma mulher limpa de pensamento, mas suja por dentro. Como tens passado desde que estivemos juntos, sinto-te triste, agarrada a algo que não existe! Saíste de Ferrol cheia de vitalidade, com um sorriso transparente, mas consegui perceber que numa das tuas cartas a letra já não era igual e que algo te perturba, até mesmo nas mensagens te senti assolada! Queres dizer-me o que é?! Sabes que podes confiar em mim, eu confio em ti!
As suas palavras soam-me como se fosse um sussurro do rio, suspiro profundamente.
As lágrimas teimam em querer rolar, mas tento controlá-las.

Sandy esteve comigo em terapia, sabe dos meus problemas e sabe porque tive de me isolar, a obsessão descontrolada que tomou conta de mim fez com que eu prejudicasse imensa gente á minha volta.

- Então, mulher de virtude, achas que alguém merece que chores?! Liberta-te! O que passou, passou, ama-te a ti mesma!
Contei-lhe porque regredi, contei-lhe que tinha voltado á praia onde estive e com quem tinha estado, Sandy abana a cabeça como se fosse um professor, reprovando o meu acto.
- Então?! Não sabes que existem regras!? Foste quebrá-las, foste magoar-te, não foste o corvo que tanto dizes ser! Não deves! És integra, és rebelde, és forte, mas só te magoas a ti, Anaise, e tu tens alguém a aquém te agarrar, tens a tua menina! Ao contrário de ti, eu não tenho descendentes mas tenho estes meus irmãos! Somos humanos, sentimos, choramos, rimos! Não deixes mais que coloquem em causa o que acreditas! E nunca duvides das tuas capacidades, fortalece-te! Trabalha em ti o que tens de melhor e aplica-o na tua vida!
Sinto a mágoa que o assola, quase que consigo ver o brilho de uma pequena lágrima ao canto dos seus olhos cor de mel.
- Sim, mas tens coragem. – respondi, e destreza!
- E tu também, não sentes isso aí dentro?! Está apenas apagada! Vamos tentar acendê-la como se fosse esta fogueira?!
Fiquei em silêncio, como se quisesse colocar a mente longe dali e fixo o meu olhar no fogo.
Intuitivo e dono de uma sensibilidade atroz, volta a perguntar-me:
- Hey, guapa, tens algo mais para me contar ou preferes continuar com a mente entupida?!
-Não me vai servir de nada, pois não?!
-Sabes que não, os teus olhos espelham o que tens em mente. E digo-te, tatua isto no teu pensamento, não se espelha nos outros os nossos próprios medos de forma a fazer com que o nosso ego seja superior a eles, isso só demonstra que somos fracos, e tu sabes que não és assim!
Contei-lhe o meu pesadelo.
Disse-me que os sonhos quando são maus, são os nossos medos a vir ao de cima.
Volta a abanar a cabeça desta vez com um sorriso.
Ao longe consegue-se ouvir o rugir dos tambores que formam uma sequência assustadora.
- Anda guerreira rebelde, estamos quentes o suficiente, vamos dançar e saltar!
Pegou-me de repente na mão, tirou-me a coberta de cima e lançou-se comigo naquela agua gelada, fui ao fundo e fiquei quase sem ar, o choque térmico de que eu tinha tanto medo foi como se revitalizasse todo o meu ser, não conseguia sentir o frio, ficámos no rio por uns poucos minutos.
- Somos uns putos! Gritei, extasiada!
- Quantas vezes vais ter oportunidade de te sentir assim!? Não te quero presa, presos andamos todos os dias pelo sistema! Vive! Une-te á natureza, á terra Mãe!
E tal como os índios, adorámos a Lua, olhámos as estrelas e fizemos formas com as poucas nuvens que existiam naquela imensidão de céu. E rimos!

Saímos da agua, enrolámo-nos no lençol que cheirava a rosas, ali tudo cheirava bem!

Entrámos no tipi aconchegante, a fogueira ao meio fazia lembrar os indios americanos, numa das extremidades colocaram um espelho, achei estranho, Sandy percebeu e antes que perguntasse, disse-me:
- É para veres a tua vaidade!
Não percebi, nunca me considerei muito vaidosa, gosto de me vestir bem, mas não faço disso um estandarte. Sou mulher!
O cachimbo volta a acender-se, desta vez reconheço o cheiro da papoila.
Os meus sentidos estão mais apurados, continuo sem saber o que fumei anteriormente, mas sei que já o experimentei e não foi ali.

Ali não era preciso roupa, os nossos corpos estavam vestidos da fome do desejo, os pensamentos vinham-nos á cabeça como torpedos.

Tal como um furacão, Sandy envolveu-me nos seus braços e ao ouvido sussurrou-me:
- Nunca se banaliza o sexo, limpa a tua mente, limpa o teu corpo, liberta a tua paixão!
Os corpos fundem-se na imensidão do nosso ser, o cachimbo roda vezes sem conta, sinto que o tempo parou, as caricias tornam-se um deleite para quem as nunca teve.

O espelho continua no fundo da tenda, a erva misteriosa volta novamente aos meus cinco sentidos, sinto uma mão levantar-me a cabeça e o corpo, sou levada até perto do vidro que reflecte a minha imagem e ouço uma voz que me pergunta:
- O que vês?!
Estou consciente, mas ao mesmo tempo a latência volta ao meu cérebro.
- Consegues ver-te?! – volta a perguntar, mira-te e diz me o que vês, sem medos!
Nisto, consigo levantar a cabeça e vejo a minha imagem reflectida, mas não era eu, era um monstro, a voz continua a perguntar-me: - O que vês?! Estou aqui, a minha mão está aqui, seguro-te! Segura-te a ti também! O que vês?!

O espelho deixou de ser espelho e passou a ser uma nuvem carregada, negra, vejo-me ao fundo, mas não sou eu, estou pejada de olhos como se fossem carraças, tenho necessidade de me ver mais de perto e consigo ver o meu semblante, os meus olhos estão brancos, como se tivesse cegado, sinto-me presa dentro de um aquário, quero sair e de cada vez que coloco as mãos no vidro, consigo sentir o desenho dos meus dedos envoltos em sangue.
- Quero partir, quero morrer! Leva-me, nas asas da tua vida. Vejo um monstro! Sou um monstro! Horroroso! Que me persegue!  Estou presa á terra por um fio de prata, a tua mão conduz-me, não me deixes cair!
Kaious, Anarquia!
Estremeço, sinto uma serpente por mim acima e desfaleço.
A minha alma abandonou o meu corpo, vejo Sandy ao longe com o seu sorriso gentil que não se aparta de mim, vejo corvos, muitos corvos gritam numa praia deserta, fazem-me lembrar o choro de crianças, é como se fosse um sonho.
Alguém me agarra e me puxa, acordo e olho os seus olhos que desta vez não são castanhos, mas sim verdes como o mar, os olhos de Carlos.
- Quem vês?! – perguntam-me.
- Vejo Kaious!
- Quem vês?! - repetem
- Vejo Kaious!
- Quem é Kaious?!
- É quem me assola, quem viveu e morreu comigo no seu pensamento! É quem me completa!
- Fica em paz, Anarquia! Em breve estarás no seu caminho, vai, eleva-te no teu espirito e voa para lá do horizonte! Sinto que nos amamos novamente numa corrente pura e cristalina.
O sexo nunca se banaliza, - volto a ouvir muito lá ao fundo

Está tudo escuro como se fosse noite, desperto, Sandy mantém-se ali, sorri.
A fogo é a única luz que temos, lá fora o luar!
- Foi forte demais, Anaise?!  Sentes-te em paz, ao menos!? Mais forte?! Tiveste um alucino fortíssimo! Conseguiste entender a mensagem?!
- Libertar-me?! Enfrentar-me, seja como for!? Sim, com o tempo, saber esperar e ouvir o que o coração nos diz! Isto só é possível ser entendido por quem sente a força! Não ter medo de me fazer ouvir! E confiar principalmente em mim própria! Foi mais uma revelação do meu poder, do nosso poder! Do poder da natureza que nos unia! – respondo sorrindo
- Brava guerreira! Dona de uma grande virtude!
Desta vez consigo perceber que o seu sorriso é mais aberto, eu própria me sinto mais jovem, mais forte, mais ampla.

Adormecemos juntos, unidos como dois irmãos.
Acordo com o cheiro do seu corpo, madressilva, madrepérola, algo assim, os odores a flores invadem o meu “jardim” de sentidos. Sinto-me limpa, por dentro e por fora, não quero mais as perversões de outrora.
Sandy fuma descansado o seu cachimbo á porta do tipi, diz que passou a noite sem dormir com medo que eu voltasse a tremer.
- Sabes que tremeste o resto da noite como se tivesses a ser agitada por um terramoto?!
- Não!- respondo, tens nome de furacão, digo com um sorriso maroto!
- Ingénua, amaste! A tua inocência denuncia-te! És pura e espinhosa como uma rosa! Amas demasiado!
 Por isso sofres! Não deixes mais que te te tirem a cor! Faz-te devota de ti própria!

Sei que toda a noite algo passava pelos meus cabelos como um pente. Eram os seus dedos!

Passou-me o cachimbo aceso.
O fumo inebriante da papoila faz com que agora me lembre da erva anterior, mandrágora!

Deram-me mandrágora!

Recordo agora as bagas que colhemos na noite do caminho da aldeia, eu sabia que reconhecia aquela planta, o odor fétido, mas suportável fez com que eu atingisse o estado superior apenas possível por quem tem forças ocultas no seu ser.

O sol já vai alto quando voltamos a subir a pequena encosta de acesso á aldeia e sinto que está para breve a minha partida.
Os putos voltam a puxar-me o cabelo da mesma maneira como cheguei, as mulheres sorriem me como se nunca me tivessem visto, Pepe, o ancião, fez me uma vénia e beijou-me a face:
- É uma honra conhecer-te, Anaise! 
Sinto vontade de chorar, Pepe, com a sua voz de trovão:
-Não ouses, sequer, deitar uma lágrima nesta terra! Sê forte, perseverante, admite os teus males, corrige os teus erros, resiste, tudo tem o seu tempo, sê paciente e principalmente sorri!
Um dos rapazes, vem ter comigo e dá-me um papel escrito com um desenho onde leio:
“Mi casa és su casa”- dentro do planeta terra “e da próxima vez traz a Sol, a cachinhos de ouro”

Despedimo-nos de todos, ao cimo da colina, Fred, o americano grita:
- Hip,Hip, hurray, Sandy, the hurricane!
A gargalhada é geral!

Descemos a aldeia em direcção ao trilho que nos leva de volta á carrinha.
Deixamos para trás a terra dos druidas e das bruxas, onde tudo é primitivo, onde tudo é permitido! Ao longe ainda consigo ver os miúdos a correr por entre as veredas, a floresta adensa-se e a aldeia perde-se por entre a folhagem.

Falámos pouco durante a hora de caminho, desta vez não fomos atrás um do outro, fomos lado a lado. A volta a casa foi mais rápida, sempre que olhava para mim, sorria como se quisesse lamentar a nossa despedida, a sua mão apertou a minha várias vezes junto do seu coração! Os olhos, as caricias, os sorrisos, a sensação de sermos pequeninos!
 Não temos muito para dizer, temos apenas de o sentir! Quando?! Não sei! Sei que em breve, os montanhas gritarão por mim!